09 de Dezembro de 2019

‘Estou trabalhando bastante para alcançar os objetivos do clube’

Filho do seu Airton Carvalho e da dona Suely Martins, o lateral-direito Igor Martins Carvalho é uma das novidades do Manaus FC em 2019. Paulista de Andradina (SP), mas com jeito de mineirinho, o calado, tímido e discreto atleta falou com exclusividade para o site oficial do Gavião do Norte e contou um pouco sobre a sua trajetória no futebol, a experiência de trabalhar com o técnico Fernando Diniz e as expectativas para a temporada com a camisa do bicampeão amazonense.

Site Oficial – É Igor Martins ou Igor Carvalho? Quando você chegou aqui, muitos fizeram esse questionamento...

Igor Carvalho – Na realidade, nos clubes anteriores sempre fui chamado de Igor Carvalho, então ficou essa marca assim. Quando cheguei aqui, passaram a me chamar de Igor Martins, eu até estranhei também (risos). No Rio Branco-AC, o pessoal me chamava de Igor Carvalho, assim como no Grêmio-RS, no Corinthians-SP... Então ficou Igor Carvalho mesmo.

SO – Como foi a tua infância em Andradina? Desde de pequeno já gostava de futebol?

IC – De início não gostava, eu era muito estudioso, minha família puxava muito minha orelha para estudar, então eu não jogava muita bola. Só que aos poucos você vai gostando, criando expectativa, sonhando e fui pegando o gosto. Juntava um grupo de amigos e ia treinar todo mundo junto, tanto que saia todo mundo junto para os clubes também. E dessa remessa de amigos três também estão jogando bola, vivendo do futebol e uma outra parte parou, mas infelizmente a gente sabe que o caminho no futebol não é fácil.

SO – Você sempre atuou como lateral-direito ou é um daqueles jogadores que iniciaram na base jogando de maneira mais avançada e foi recuando?

IC – Eu subi para o profissional como volante, com o Fernando Diniz, só que na formação do time dele a gente brincava que não tem formação: zagueiro vira atacante, atacante vira zagueiro, meia vira volante... E ele me subiu como volante, só que volante na opção tática dele vira lateral. Eu já era lateral na base e ele me subiu como volante. É bem complicado mesmo, difícil e hoje ele está no Fluminense né... Mas a minha posição fixa era lateral, mas eu também jogava de volante.

SO – Onde você fez sua base?

IC – Fiz minha base no Grêmio-RS, fiquei dois anos lá. Saí de lá e fui para o Athletico Paranaense, fiquei um ano e depois fui para o Atlético Sorocaba. Fiquei um ano e meio na base lá e já subi para o profissional com 16 anos. Na época, joguei a A2 e alguns jogos da Primeira Divisão do Paulista.

SO – E depois?

IC – Saindo do Atlético Sorocaba fui para o Corinthians, tinha um empresário muito forte na época, só que eu não tinha cabeça de profissional ainda. Eu era um jogador de futebol, não era um atleta profissional. Fiz muitas escolhas erradas, tanto que chegou um dia que resolvi parar de jogar bola, fiquei desgostoso com o futebol. Eu tinha 20 anos. Parei um ano de jogar futebol, fiquei parado. Pessoal da minha cidade, que tem bastante jogadores lá, como o Fabrício Carvalho, o Basílio, o Sinval... Tem um irmão meu, do coração, que ele ficou triste com a notícia e tentava me erguer de novo, não queria que eu parasse, daí fui jogar na cidade vizinha, em Prudente, no Grêmio Prudente, que era muito famoso antigamente, tinha uma estrutura gigante, tem ainda, porém, creio que faliu o time, que tá sem investidores lá, mas ainda é uma cidade muito forte para o futebol. Com 21 anos voltei para o Grêmio Prudente e joguei dois anos lá. Depois fui para Matonense-SP, Grêmio Maringá-PR e Rio Branco-AC. Na volta, eu já não tinha ajuda empresarial nenhuma, foram amigos que conseguiram uma avaliação no Grêmio Prudente. Como fiquei esse um ano parado, você perde mercado total. E eu parei numa idade crucial, que é sub-20, saindo para o profissional. E eu já era profissional, porém, não tinha atuado muito como profissional ainda, então parei numa idade muito arriscada. Graças a Deus estou dando a volta por cima.

SO – E como foi tua experiência com o Fernando Diniz? Jogadores são só elogios ao trabalho dele...

IC – Foi uma experiência sensacional, creio que a melhor que eu tive na minha vida profissional. Foi no Atlético Sorocaba, em 2012, ele assumiu na A2, fez um time fantástico, atropelamos todo mundo e subimos com duas rodadas de antecedência. Foi sensacional o time que ele fez, a forma de trabalho e a liberdade que ele dá para você jogar o futebol puro, tanto que muita gente pesquisa a forma tática dele, mas é impossível saber isso se você não viver aquilo lá diariamente. Muita gente fala que é arriscado, que ele joga muito com o goleiro, com zagueiro, dificilmente dá um chutão, sempre sai jogando com a bola, até mesmo na frente da área, mas é algo treinado exaustivamente, todos os dias a gente treinava aquilo. Para a torcida, lógico que é difícil, é preocupante porque você vê a bola toda hora passando à frente da sua área, é complicado o torcedor aceitar de início e aqui no Brasil a gente tem uma dificuldade gigante com isso. Você vê nos clubes europeus que hoje é raro um time de lá que não joga com o goleiro, que não tem esse goleiro como um líbero, o cara da sobra... Todo time europeu sai jogando com os pés, até com o goleiro, mas no Brasil, como nossa cultura é diferente e nossa torcida também não tem essa paciência, aí acaba que é difícil ele render num clube, mas é uma experiência fantástica, um cara fantástico. Quisera Deus eu ter a oportunidade de trabalhar com ele novamente.

SO – Muita gente fala sobre a questão humana, o trato diferenciado que ele tem com seus jogadores...

IC – Ele é formado em psicologia né, ele tenta fazer você render o máximo, e quando ele vê que você está meio de fora, ele sempre mantém o elenco muito junto, ele vê, ele sente quando você está cabisbaixo, está com algum problema, tanto que quando eu joguei com ele, eu estava com um problema, ele chegou em mim e perguntou o que estava acontecendo... Ele consegue ter essa percepção e conseguia manter o elenco sempre muito junto, fazia atividades entre nós mesmos. Para mim, é um cara muito diferenciado.

SO – Agora você defende as cores do Manaus FC. O que te fez acertar com o clube e qual tua expectativa para a temporada?

IC – Eu abracei o projeto. O Giovanni (presidente do clube) entrou em contato comigo, foi bacana a conversa que a gente teve, sabia do tamanho do Manaus. Eu aceitei vim para ganhar mercado, claro, e querendo ou não, nos encontramos em duas competições em que o Manaus tinha toda possibilidade de subir e infelizmente não subiu. Eu estava do outro lado, vi que é um clube maior, que oferece melhor estrutura para o seu profissional e vi que existia a possibilidade mais fácil de subir (de divisão), de erguer esse clube, então eu falei: ‘Tenho que me projetar lá para alcançar os objetivos que eu não consegui alcançar no clube anterior’. Acabei abraçando a ideia e estou trabalhando bastante agora para alcançar os objetivos do clube, que assim vou conseguir atingir os meus objetivos.

SO – Veio você, Patrick Borges, Evair, Diogo Dolem e Mateus Oliveira do Rio Branco-AC. Isso tem te ajudado na adaptação aqui?

IC – Sim, a gente já é entrosado, pensa da mesma maneira, já trabalhou junto, tem esse entrosamento, o carinho um pelo outro também. Com o Patrick eu já trabalhei em outros dois clubes, então a gente já se conhece bastante... Mas já conhecia o pessoal aqui também, que já joguei contra bastante vezes contra o Manaus. Acredito que foi bacana o pessoal vir, foi bacana para mim. Querendo ou não você chega aqui e fica um pouco perdido, porém, com eles aqui a gente conseguiu se entrosar um pouquinho mais rápido com o elenco inteiro.

SO – Estamos a poucos dias do jogo mais importante do Manaus FC na temporada até o momento, diante do Vila Nova-GO. Antes, porém, tem o confronto diante do Iranduba pela segunda rodada do Campeonato Amazonense. Como fica a cabeça do jogador diante disso? 

IC – A gente tem que saber separar né, porque querendo ou não, lógico que é o jogo mais importante para o clube, sem sombra de dúvida. Mas a gente tem que saber que tem dois desafios também no Estadual, a gente não pode ir mal no Estadual, tropeçar e aí chegar sem confiança no jogo do Vila. O grupo inteiro sabe disso, todo mundo está focado primeiro no Estadual, depois passando esse jogo a gente vai focar na Copa do Brasil, que é um jogo importante. Mas é um passo de cada vez.

SO – Vamos avançar para a segunda fase da Copa do Brasil?

IC – Com certeza, sem sombra de dúvida. Pelo tanto que a gente trabalha, estamos confiantes e vamos nos doar para isso.

SO – Quem é o Igor fora das quatro linhas?

IC – Filho de mineiro, um cara muito tímido, não gosto muito de ficar bagunçando, sou mais na minha assim, sossegadinho. Sou bastante verdadeiro com o pessoal, tento ajudar ao máximo, tenho um coração gigante pelo que falam, bastante companheiro e amigo de todos.

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